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Capela de São José

Capela de São José, Caçarelhos

O Seu fundador devotamente escolheu e deu como padroeira desta capela a Sagrada Família de Nazaré. Assim consta na inscrição do frontispício da mesma. Sempre todavia o povo local e a própria família do Abade fundador lhe chamaram Capela de São José.
Efectivamente o Santo Esposa da Virgem Mãe é a pessoa mais humilde e talvez a menos conhecida entre o povo cristão. Na sequência da doutrina a este respeito exposta em 1883 na encíclica do papa Leão XIII. que recomendou a recitação diária da oração a São José durante a devoção do terço do rosãrio no mês de Outubro, também o bispo de Bragança D. José Alves Mariz confirmou a mesma doutrina em carta pastoral de 31/08/1889. Natural de Caçarelhos, Vigário geral da diocese, pessoa de notável influencia junto do bispo diocesano, particular e prestimoso amigo desde Abade de Caçarelhos, o cónego António José da Rocha foi importante e directo colaborador do Abade na erecção da capela da Sagrada Familia à qual o povo chamou sempre e apenas de capela de São José.
Tal qual a mais alta casa do senhor Abade sobre cujo grande portal a sul da Igreja Matriz se vê a inscrição “A.D.1893”, abreviatura de “Anno Domini”, em língua portuguesa “ano do (nascimento) do senhor (Jesus Cristo) de 1893”, a capela da Sagrada Família foi obra dos bons artistas pedreiros locais que nesse dito ano a construíram.
Capela de São José, CaçarelhosDe planta rectangular relativamente minguada em espaço interior, tem um único altar de escasso retábulo. Embora Simples, é todavia uma construção segura, agradável e airosa. Tem na frontaria virada a poente, ao nível do chão parcialmente nivelado por muro de alvenaria, a única porta de acesso. Sobre a empena da mesma frontaria assenta uma pequena sineira de ferro encimada por metálica figura de pequeno galo cata-vento, que fazia os encantos da pequenada do meu tempo girando e marcando a direcção do vento, quando este soprava, ou mantendo-se estaticamente imóvel, sobretudo nos dias calmos de Verão em que tanto de vento se carecia para “limpar a as parva”, isto é, fazer artesanal separação entre grão e palha trilhada lançando esta ao vento, que por vezes muito rogado se fazia quando para este fim dele mais carecia…
Do arranjo, guarda e conservação desta sua pública ermida se encarregou o fundador e, depois dele, os respectivos lídimos herdeiros que o fizeram até a terceira geração. Pelo decénio de 1960, o telhado desta capela carecia de urgente reparação. O padre Francisco José Silvestre, cura encomendado desta paróquia de Caçarelhos e presidente nato da “Junta Fabriqueira” não obteve o conveniente aval para tais obras. Com ligeiro arranjo, o telhado lá se foi aguentando.
Por vontade explicita dalguns membros desta quarta geração e com a notável colaboração de alguns benfeitores entre os quais os nossos conterrâneos Abel Pires Martin, residente em São Martinho de Angueira, que ofereceu a telha, no decurso de 1909, o Dr Vítor Fernandes que deu 1000(mil) euros e a família de Emílio Pires que ofereceu 500 (quinhentos) euros, a Comissão da Fábrica da Igreja Paroquial de Caçarelhos procedeu ao arranjo desta capelinha para qual contribuiu com o resto cujo cômputo não consegui saber. As paredes foram interiormente rebocadas e pintadas. Exteriormente ficou a descoberto o rústico que, estando actualmente em moda, não será todavia a melhor conservação de todo o exterior deste edifício sagrado. Parabéns a todo o povo e aos demais directamente intervenientes. Esta capela é actualmente cuidada e zelada pela nossa conterrânea Virgínia Fernandes.

Francisco Manuel Formariz,
“CAÇARELHOS, Apontamentos Monográficos”