Monthly Archives: Maio 2010

Figuras Ilustres de Caçarelhos

Professor Doutor Luís António Martins Raposo, nascido a 20 de Maio de 1892 em Caçarelhos, completou o curso de Medicina na Universidade de Coimbra no ano de 1916 com 19 valores. Foi desde logo convidado para 2º Assistente de Obstetrícia, lugar que não ocupou porque foi mobilizado como Oficial Médico para o Corpo Português em França durante a 1ª Guerra Mundial onde permaneceu durante dois anos. Vários louvores e condecorações, entre estas a Cruz de Guerra.
Regressado de França exerce durante doze anos no Hospital Militar de Coimbra a função Chefe de Cirurgia. Acumulou estas funções com as de 1º Assistente de Obstetrícia e Ginecologia.

Folar

A azáfama em casa das mordomas de Santa Luzia é uma constante nos dias que antecedem a Feira do Pão e do Folar de Caçarelhos, no concelho de Vimioso. Ana Rosa Martins, Maria Torrão e Maria Augusta João juntam-se para confeccionar o pão, as doçarias e o “Rei da Páscoa”, que não pode faltar no certame.

As carnes são partidas no dia anterior. Mesmo assim, é preciso começar cedo, porque o processo de confecção do folar é moroso e todos os passos são indispensáveis em nome da qualidade e da excelência do produto.
As mordomas dividem as tarefas na cozinha improvisada onde Maria Augusta João preserva o tradicional forno a lenha, que ainda acende com alguma regularidade para fazer pão à moda antiga. É na altura da Páscoa que o forno fica mais vezes “rojo” (aquecido à temperatura adequada), para fazer fornadas de pão e folar, que são postas à venda na tradicional feira de Caçarelhos.
Enquanto Maria Augusta parte as seis dúzias de ovos que vão dar consistência à massa do folar, Ana Martins e Maria Torrão untam as formas onde vai ser colocada a massa para ir ao forno. “Este trabalho tem que se fazer antes de se começar a amassar”, realça Maria Augusta.
Depois de reunir todos os ingredientes que se vão juntar à farinha, nomeadamente os ovos, manteiga derretida, óleo, fermento e leite, Maria Augusta mete mãos à obra, para transformar tudo na massa aveludada que torna os folares mais fofos. “O segredo está na massa. Deixo-a leve para que os folares fiquem mais fofinhos”, revela a mordoma.

Carnes caseiras e massa leve contribuem para que o folar de Caçarelhos seja um produto muito procurado na feira local

Esta habitante de Caçarelhos, com 59 anos, realça que usa as técnicas que aprendeu com a mãe, ainda era criança. “Faço tudo à moda antiga. O folar fica com outro sabor”, acrescenta Maria Augusta.
Com a massa pronta, as três mordomas começam a colocar nas formas camadas de massa intercaladas com presunto, salpicão e chouriço. “O nosso folar é especial devido às carnes. É tudo caseiro. E não poupamos nas carnes”, enaltece Maria Torrão.
Os folares ficam a “dormir” (levedar) durante cerca de duas horas, antes de irem ao forno à temperatura adequada, onde demoram cerca de uma hora e meia a cozer.
“Quando os tranqueiros estão brancos, o forno está quente. Depois de uma hora e meia, os folares estão prontos a comer”, salienta Maria Augusta.
Já para confeccionar as duas fornadas de pão centeio, a mordoma foi moer a farinha ao moinho de S. Martinho de Angueira. “Agora vou peneirá-la, para depois amassar o pão”, conta esta habitante de Caçarelhos.
Durante a jornada que antecede a feira, as mordomas vão misturando expressões em mirandês com o português, ao mesmo tempo que se preocupam em manter vivas as tradições herdadas dos seus antepassados.

Por: Teresa Batista

As Fotos da nossa aldeia
(Abril de 2010)